O Sertão do Rio Grande do Norte, está em luzes, cores e encantos. As paisagens dessa terra de pessoas carinhosas, de casinhas simples e ruas pequenas, ou melhor as cidades também são pequenas e cheias de graciosidade. As águas do açude Gargalheiras, trasbordam ritualidade e charme natural, o homem acariense retira dessas águas uma das riquezas que a fauna faz questão de ofertar, os camarões, que artesanalmente são trasformados em subprodutos, pelos próprios moradores locais, estar nas margens desse açude é encher o corpo com bons fluidos, é sentir o simples em um lugar enormemente cercado por uma realidade natural que grita em forma de canção, as 6 da noite uma sonora melodia nos rádios de pilha, é a hora do anjo da guarda, é ele que cobre esse povo com toda brava coragem que eles merecem por sí só. Como a noite chega, o descanço torna-se necessário e é muito bom, na porta de casa, a vizinhança, ou a igreja nos fins de semana. Estar no Seridó é poder contar com muita PAZ que vem no céu, lá sentimos cheiro de planta, de caatinga verde, porque com as chuvas nossas matas se vestem de rico verde, que faz o povo muito feliz, eu sou grato ao Criador pelo nosso lugar, nossa casa, como é bom voltar a casa dos meus avós e abraçar os parentes, as famílias acolhem com bolo da moça, ou com latas de chouriço, iguaria local, doce feito com sangue de porco e especiarias, não tem igual... delicioso! Partindo em busca das montanhas, podemos chegar em Carnaúba dos Dantas, lá a Fé é muito forte, em virtude do Monte do Galo, nas festa de padroeiro, tudo vira festa, rica festa, com muita comida boa, e muita gente arrumada...! Uma fortaleza de pedra, ou um castelo para abrigar a família?, assim é Bivar, uma moradia feita dentro da mata seridoense, é perfeito vê-lo ao longe, sem palavras. As ruas dessas cidades nos levam a uma história viva, terra que nasci, passei boa parte da minha infância e juventude, hoje vejo que minha terra tem um sabor a mais, lá eu posso comer macios filhóes com mel de rapadura preta, queijos artesanais e beber leite tirado das vacas do meu avô. Poder ir na feira do sábado, do domingo ou até mesmo da segunda.Comprar coisas intimas da terra, como as panelas de barro e colheres de pal é gratificante para nós gastrônomos amantes de uma boa cutelaria, que aguenta fogo e até mesmo uma massa de acarajé. Velhas doceiras, merendeiras, nesse caso abro espaço para falar da minha vó, cozinheira por profissão, ela ama cozinhar para família e para os amigos. Quando amanhece nos sítios, podemos sentir perfume de bolachas assadas com manteiga da terra, em especial as de Jucurutú, um breve passeio pelo centro da cidade pode-se muito bem tomar caldo de cana, comer buchada com cuscuz de milho, é claro uma xícara de café...Sinto-me honrado em abrir as páginas dos meus diários pessoais e cruzar as minhas memórias que flutuam sobre meus pensamentos, não tem como esquecer. O sertão é lindo, vivendo bem, com pouco, cercado de ricas paisagens, é muito bom. Seja Bem Vindo, está escrito em todas as entradas das cidades, muito bem vindo ou bem vinda por sinal, lá é um reduto da nossa gastronomia, vale a pena encharcar-se com tudo isso. Uma verdadeira exposição de belas imagens, ou melhor: uma liberdade visual que enche as pessoas de sentimentos bons...
Imagens: Carlos Máximo
Por Tullio Rogyer
Águas de Garcalheiras - Acarí
Castelo em Carnaúba dos Dantas
Céu e Terra juntam-se
Verdadeiras Vilas Naturais
Pequenas ruas feitas com pedras
Canoas e pescadores de água doce
As janelas da sabedoria









